segunda-feira, 27 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO EM VALORES ESPIRITA

Chegou-nos às mãos um jornal espírita trazendo uma interessante matéria sobre um método de educação criado por Sri Sathya Sai Baba, na Índia, denominado “Educação em Valores Humanos”. O que nos chamou a atenção foi esse tipo de preocupação numa casa espírita. Um Centro Espírita, segundo nosso entendimento, deve ser um centro, por excelência, de divulgação da Doutrina Espírita. Não se entenda que os espíritas não possam ou não devam se interessar por outras áreas, mas o Centro Espírita não deve se preocupar a não ser em difundir a mensagem espírita em seu tríplice aspecto: Filosofia, Ciência e Religião; mais especificamente, Jesus e Kardec.

O irmão leitor deve então se perguntar: Em que difere o método Sathya Sai de Educação em Valores Humanos da metodologia espírita? A metodologia espírita está toda calcada no evangelho de Jesus e a do método “Educação em Valores Humanos” está baseada nele mesmo, o Sathya Sai. A Doutrina Espírita tem em Jesus seu guia e modelo, veja-se a questão 625 de O Livro dos Espíritos. Para Sri Sathia Sai Baba, Jesus é “imagination” como nos disse o médium Divaldo Pereira Franco, em palestra. Sai Baba é, para alguns, um AVATAR, que significa a encarnação de um Deus, uma encarnação divina. No livro “El Yoga de La Accion Correcta”, segunda edição, abril de 1988, tradução de Herta Pfeifer, que contém discursos escritos por Bagavan Sri Sathya Sai Baba, à página 68, ele coloca seu pensamento dessa maneira: “Apariciones causativas de la Divindad como Rama y Krishna, maestros religiosos como Sankara, Ramanuja y Madhwa, portadores de la Sabiduría como Buddha, Jesús el Cristo y Mahoma (...)”. Uma tradução que se pode dar da expressão: “Apariciones causativas de la Divindad” é a mesma de AVATAR, encarnações divinas, como ele próprio, Sri Sathya Sai Baba. Veja-se que Jesus está dois degraus abaixo de onde ele se coloca, portanto o método criado por Sai Baba não inclui Jesus. As perguntas que fazemos são as seguintes: Deve um Centro Espírita basear seu ensino em uma doutrina estranha? Deve-se divulgar o Espiritismo sem Jesus?

Outra questão que também se torna pertinente levantarmos é a seguinte: Com que finalidade surgiu o método Sathya Sai de “Educação em Valores Humanos”? No livro, “Educacion Sathya Sai en Valores Humanos”, primeira edição em espanhol, agosto de 1990, traduzido por Elizabeth Espósito, que contém discursos de Sai Baba, recompilados por Loraine Turrows. Logo na introdução se pode responder a esta pergunta. Falando sobre “El propósito de la educación”, ele diz que a educação como está atualmente, desenvolve o intelecto e as habilidades, mas nada faz para desenvolver as boas qualidades; que o sucesso do homem nos campos da ciência e da tecnologia tem contribuído apenas para melhorar as condições materiais de vida; mas o de que precisamos nos dias atuais é de uma transformação do espírito; que isso só acontece quando se promove o cultivo do espírito junto com a educação nas ciências físicas; a educação moral e espiritual prepararão o homem para levar uma vida disciplinada. Conquanto as idéias em si sejam boas, há aí um viés que hoje não tem mais sentido se propor, que é a imposição do ensino religioso nas escolas. Mais adiante Sai Baba diz o que transcrevemos textualmente, “ La educación debe inculcar temor y fe en el estudiante”, sabe-se que a pedagogia do medo é algo que não encontra mais lugar na escola moderna. Logo adiante ele pergunta: ?Quien es responsable del estado deplorable de la educación actual, de la falta de disciplina entre os estudiantes y la ausência de valores morales entre las personas instruídas? Ele mesmo reponde mais abaixo, “Por dicha situación hay que culpar a los padres, a los maestros, a la administración y al Gobierno”. Como se observa o objetivo principal é criticar o governo. No método Sathya Sai de educação conforme ele mesmo diz, “Los estudiantes y maestros deben observar una regla básica. Deben evitar totalmente la política.(...) Yo no tengo nada contra la política o los políticos. (...) Pero insisto en que uno no debe aventurarse en ella en una etapa inmadura y adolescente. Cuando un estudiante se entrega a la política, non puede ser bueno en sus estudios o en ella, solo malgastará su vida preciosa. No hay lugar para que los maestros se entreguen a la política. (...) Los maestros que se dedican a la política lo hacen para sus propios fines egoístas, para mejorar su posición e influencia.” Quem conhece um pouco da Índia, da região onde Sri Sathya Sai Baba atua, sabe que ele fundou muitas escolas, inclusive universidades, hospitais, etc. Por isso ele não quer nem a ingerência do Governo nem a presença de Sindicatos porque, então, ele reina sozinho, essa é a verdade.
Sem interferir na educação convencional a cargo do Governo e de particulares, a Educação em Valores Espíritas que é conhecida como “Evangelização Espírita” tem como objeto, o homem no seu sentido integral, ou seja, como ser bio-psico-socio-cultural e espiritual e como objetivo a integração deste, como espírito encarnado, com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Essa, na nossa modesta opinião, deve ser a maior preocupação dos Centros Espíritas, como Lar, Escola, Hospital de Almas, e Oficina de Trabalho, verdadeiras células básicas do Movimento Espírita.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OS PROBLEMAS DA MEDIUNIDADE

O Espiritismo tem ocupado espaço na mídia nacional. De repente, remakes de telenovelas, filmes ou mesmo um ou outro take publicitário, vêm tratar de questões pertinentes à comunicação com Espíritos desencarnados, reencarnação, fenômenos mediúnicos, etc., fazendo, às vezes, alusão explícita à mensagem da Doutrina dos Espíritos. E isso tem despertado a atenção dos brasileiros, que, sensibilizados pelo tema, vão bater às portas dos Centros Espíritas em busca de respostas às suas indagações existenciais, à procura de remédio para suas crises e consolo para suas dores.

Neste momento, cresce a responsabilidade dos espíritas, daqueles que colaboram com a difusão da Doutrina. Porque um número cada vez maior de pessoas virá solicitar esclarecimentos a respeito da problematização de sua vida, a respeito do passado, do futuro, da razão das contradições conjunturais que estejam enfrentando. E os agentes do Espiritismo não poderão enganar nem ser levianos, sob pena de diluir a grandeza da verdade doutrinária em resoluções imediatistas e simplórias - montadas de improviso para atender aos reclames do povo vitimado pela comunicação de massa.

Facilitar o acesso à mensagem dos Espíritos não significa simplificar a ponto de comprometer o seu conteúdo. O Espiritismo é uma doutrina que requer muita leitura, estudo, reflexão, requisitos insubstituíveis e inevitáveis à sua compreensão.

Dai a tarefa dos colaboradores. Num serviço voluntário, os que estão há mais tempo na militância espiritista se prestam a auxiliar os recém-chegados, não raro estabelecendo um verdadeiro processo de alfabetização.

Importa saber que o Espiritismo representa para os espíritas a dedicação ao estudo disciplinado e permanente, a fim de se manter a atualização abrangente dos vários outros códigos de conhecimento que se entrelaçam com o código da Doutrina. Não dá para estacionar só no saber que se transmite oralmente. Ninguém pode se afirmar conhecedor do Espiritismo só na base do "ouvi dizer".

Todavia, o Brasil ainda tem sua realidade social muito voltada para essa cultura oral do "ouvi dizer", que tem subempregado os conceitos espiritistas, transformando-os em preconceitos. Nessa esteira trafegam descrições controvertidas, vulgarizadas na "voz do povo" e que se constituem em camisas-de-força à expansão do entendimento doutrinário. Uma delas diz respeito à mediunidade.

Há um clichê disseminado por aí que perversamente associa mediunidade com um quadro patológico. São muitas as pessoas que vão aos centros espíritas devido a um "problema de mediunidade". Porque o vizinho, um parente, alguém na rua, lhes disseram que aquela dor-de-cabeça, aquela insônia, aquela irritabilidade constante, seriam provenientes da influência de um Espírito desencarnado. Este, desequilibrado, se aproximaria, se encostaria ( daí a vulgarização do termo encosto) nas pessoas, provocando-lhes inúmeras mazelas.

É impressionante como existem centros - que se dizem - espíritas fazendo uso dessa maneira leviana de interpretar o fenômeno mediúnico.

O cidadão aparece no centro espírita pela primeira vez; ninguém o conhece, ninguém sabe da sua história de vida, ninguém sabe do seu cotidiano, dos seus hábitos; ninguém sabe se ele tem, ou não, família, muito menos se essa família seria equilibrada e feliz; ninguém sabe a profissão dele, se ela é vocacionada ou apenas suportada por uma questão de sobrevivência ou de comodismo; ninguém sabe se o cidadão se alimenta corretamente, se dorme bem, se pratica, ou não, algum tipo de esportes.Todavia, mesmo não se sabendo coisa alguma a respeito de tal pessoa, há dirigentes de casas espíritas que se atrevem a afirmar, "categoricamente" que o problema da pessoa é "de mediunidade", e que ele precisa "desenvolvê-la".

Isso quando não diagnosticam, desde logo, um quadro de "obsessão", encaminhando o referido cidadão para trabalhos de desobsessão, fazendo com que se manifeste o espírito que está incomodando, a fim de ser doutrinado.

Ora, senhores espíritas: a Doutrina dos Espíritos dá conta da existência, sim, dessa influência dos espíritos desencarnados sobre os encarnados.Mas não desse jeito! "Diagnosticar" todo e qualquer problema - seja de ordem física, moral e financeira - como um "problema de mediunidade", assim, de primeira vista, sem um estudo de caso, é demais!

Muitos centros espíritas têm insistido nessa leviandade. Acomodam-se numa visão absolutamente passiva do fenômeno mediúnico, como se nós, os encarnados, fôssemos vítimas perpétuas e indefesas de desencarnados desavisados.

Mesmo uma simples interpretação gramatical do Livro dos Espíritos já comprova que os seres humanos, os encarnados, não são sujeitos passivos no processo da influência mediúnica. Explicando a Allan Kardec o porquê de haver espíritos capazes de incitar os encarnados ao mal, os Espíritos disseram: "Nossa missão é a de te por no bom caminho, e quando más influências agem sobre ti, és tu que as chamas, pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm em teu auxílio no mal, quando tens a vontade de o cometer; eles não podem ajudar-te no mal, senão quando tu desejas o mal".(LE ).

E à indagação sobre se era possível afastar a influência desses Espíritos inferiores, eles responderam: "Sim, porque eles só se ligam aos que os solicitam por seus desejos ou os atraem por seus pensamentos". (LE).

Por mais superficial que seja a leitura desse texto, depreende-se que é a vontade do encarnado que estabelece seus vínculos espirituais. Portanto, no processo da influenciação mediúnica o ser humano é totalmente ativo, totalmente agente. Se assim não fosse, qual seria o significado do livre-arbítrio?

De nada adianta, então, submeter uma pessoa a sessões corridas de desobsessão, se essa pessoa não for sensibilizada a modificar seus comportamentos, se ela não se auto-educar, se ela não se autoconhecer.

A maioria desses "problemas de mediunidade" são problemas de caráter pessoal, são problemas de falta de educação. Colocar uma vitima desses ( assim) problemas sociais como um sujeito passivo, involuntário, de más influências, é vitimá-la duas vezes. Daí ser preferível falar em mediunidade deseducada, ao invés de problema de mediunidade. Mediunidade não é problema. Conhecida, compreendida, disciplinada, é um importante fator de aperfeiçoamento da leitura do mundo às pessoas.

Os espíritas precisam disso, pois o centro espírita deve ser, cada vez mais, um centro de liberdade que se alcança através do conhecimento e do auto-conhecimento - e não um local onde se cultive a mentalidade de submissão e ignorância.

O PAPEL DO DIRIGENTE ESPÍRITA

A função do dirigente espírita, portanto, é da mais alta gravidade diante de Deus.

► "O dirigente espírita nunca deve esquecer que se encontra revestido de um encargo que, embora nada seja entre os homens, é de grande importância perante Deus".

Esta afirmativa foi feita por Miguel Vives, um missionário que viveu em Barcelona no final do século passado, e que deixou preciosos ensinamentos de como se proceder em relação à direção do centro espírita.

► Dirigir uma casa espírita é tarefa das mais difíceis e requer de quem tem o encargo, além de um entendimento mais amplo das coisas, um profundo senso de responsabilidade.

Sabe-se que não é por acaso que algumas pessoas assumem esse pos to. É corrente no meio espírita a idéia de que ninguém aceita essa tarefa de livre e espontânea vontade, mas levado pelas circunstâncias e por falta de trabalhadores que queiram "sacrificar-se". Por conta desse torto pensamento, em muitas situações o desempenho dessa missão se torna penoso e desgastante.

► Muitos dirigentes chegam mesmo a declarar que estão no cargo apenas por falta de quem o substitua.

Parecem carregar pesado fardo, do qual querem se ver livres o mais rápido possível. Entendemos que os que assim procedem, infelizmente ainda não alcançaram a real compreensão sobre a missão de que estão imbuídos e tampouco a enorme oportunidade de crescimento que lhes foi dada pela Vida.

Nesse grave momento de descontrole por que passa a humanidade, o dirigente espírita deveria buscar compreender a importância do centro espírita. Se não tiver dentro de si os valore s necessários para o cumprimento de sua tarefa, a casa sob sua responsabilidade poderá seguir por caminhos outros que não os dos núcleos onde se vivencia e ensina a mensagem cristã. Se os centros espíritas são a cátedra do Espírito de Verdade, muito mais razão terá quem o dirige de tentar chegar o mais perto possível desse entendimento, a fim de que possam os bons Espíritos efetivamente fazer uso dele, espargindo entre os homens a mensagem de esclarecimento e libertação.

► A função do dirigente espírita, portanto, é da mais alta gravidade diante de Deus.

Pois ele, mais que os outros trabalhadores espíritas, faz o papel do "sal que salga", conforme nos exorta Jesus, no seu inesquecível Sermão da Montanha. Entretanto, o sucesso de sua tarefa administrativa depende do seu preparo em muitos aspectos, primordialmente no campo do conhecimento doutrinário e de sua conduta moral. El e deve ser antes de tudo o espelho, o exemplo que muitos tentarão seguir, a conduta que tantos procurarão imitar. Mas não somos santos, dirão os que vêem nisso um exagero. Decerto que não, mas essa mentalidade de pseudo-humildade é de suspeita modéstia. Esconde também um estado de acomodação bastante favorável para os que não querem esforçar-se em lutar por vencer suas más inclinações.

► Dirigentes há, que exercem um papel para o qual não estão preparados e deixam crescer nos centros espíritas toda sorte de desvios, tanto doutrinários quanto morais, preparando inconscientemente um campo perfeito para a ação nefasta dos Espíritos atrasados.

Diremos mais: serão casas que acabam sendo dirigidas por essas entidades, que sob nomes pomposos se locupletam em mantê-las no atraso, envolvendo as pessoas que ali estão (trabalhadores e freqüentadores), em fantasias, ilusões e fa scinações. Enganam-se os que pensam que tais desvios ocorrem somente em casas mais simples ou menores. Hoje, observam-se essas distorções disseminadas por todo o Movimento Espírita. Os jornais, os folhetos, os programas e eventos espíritas dão exemplo disso a todo instante. Quem tem olhos de ver, que veja.